domingo, 16 de junho de 2013

Poesias


Na aula de Matemática

Quando olhas para mim
Os números racionais ficam irracionais
Os reais, imaginários
E os complexos ficam perplexos.

Quando olhas para mim
O triângulo fica imóvel
O círculo quadrado
E o quadrado fica reverso.

Quando olhas para mim
Os conjuntos ficam sem elementos
Os subconjuntos, maiores que os conjuntos
E o vazio desaparece.

Quando olhas para mim
Os múltiplos ficam primos
Os primos irmãos
E todos os números ficam divisíveis.

Quando olhas para mim
Os deltas ficam negativos
As equações sem raízes
E as funções ficam sem domínio.

Quando olhas para mim
As derivadas ficam sem limites
Os gráficos, sem inflexão
E as tangentes nem se tocam.

Quando olhas para mim
Os poliedros ficam sem faces
O côncavo vira convexo
E o teorema de Euler fica sem nexo.

Quando olhas para mim
O sistema fica impossível
A matriz, redonda
E o determinante se anula.

Quando olhas para mim
O sinal fica sem som
A aula sem professor
E o aluno bate com o dedo no meu ombro:
- Mestre, a aula acabou.

Chico Nery



Romance matemático

Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que nosso romance é como uma equação
Em que ponho-me, insistentemente;
A descobrir o valor de sua incógnita.
Dê-me o silêncio…
Para eu derrubar todos os axiomas;
Que insistem em dizer que nosso amor é impossível.
Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que você é o pivô de minha matriz escalonada;
Que cada virtude que encontro em você
É um determinante para nossa relação.
Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que a função que rege minha vida
Consiste em que cada elemento do seu domínio
Está associado a um elemento de meu contra-domínio.
Dê-me o silêncio…
Para eu te mostrar que nossas retas paralelas se encontrarão no infinito.
Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que quando contemplo a imagem de seu corpo,
Meus batimentos cardíacos modelam uma cossenóide.
Dê-me o silêncio…
Para te provar que embora sejamos ângulos opostos pelo vértice,
nossas medidas são iguais.
Nesse instante me calo e quem diz tudo é você.

Anderson Costa dos Santos Souza e Alex Bruno Carvalho dos Santos


Amormetria

Dê-me um apoio (centro)
Num piscar de olhos me transformo em um compasso
Giro 90º, 180º, 270º, 360º graus
Volta completa na circunferência chamada vida.

Dê-me uma régua ou uma trena
Com ela conseguirei medir ou não nossa distância
Que parece infinita.

Dê-me um transferidor para medirmos os graus do nosso amor.
Um esquadro
Quem sabe ele possa nos enquadrar.

Dê-me um ponto
Por ele passarei infinitos segmentos de sentimentos
Paixão, amor, raiva, ressentimento, gratidão…

Só não me limite com dois pontos
Pois, não saberia que segmento de sentimento
Passaria por eles.

Edi Santana Barbosa
Professor da rede Estadual e municipal de Juazeiro BA

Nome : Desconhecido

 Descartes colocou tudo nos eixos,
 Cupido enviou os vectores,
 E no quadriculado, de mãos dadas,
 Ficaram a Geometria e a Álgebra.
 O mar para atravessar,
 O Universo para descobrir,
 As pirâmides para medir.
 Tudo existia, menos a trigonometria.
 Construíram-se triângulos,
 Mediram-se ângulos,
 Fizeram-se cálculos e
 Quem sonharia que à Lua se iria?
 Flor, fruto, flor, fruto, flor...
 Sucessão da natureza.
 Dois, quatro, seis, oito...
 Sucessão de Matemática.
 Quem gosta de Matemática
 Tem de gostar da Natureza.
 Quem gosta da Natureza
 Aprenderá a gostar da Matemática.
 O chá arrefece com o tempo,
 As plantas florescem com o tempo,
 A Matemática aprende-se com o tempo,
 A vida vive-se com o tempo.
 O que é que não é função do tempo?
 Com um duplo cone e um serrote
 Apolónio mostrou ao mundo
 Elipses, hipérboles e parábolas.
 Eram formas tão perfeitas,
 Que na Matemática
 Já tinham uma equação.
 A sua beleza e harmonia
 Levaram-nos do plano para o espaço
 E também de Apolónio ao nosso dia-a-dia.
 Quanto tempo gastou Arquimedes
 Para desenhar rectângulos e rectângulos
 Cada vez de menor base,
 Até chegar à área de uma curva?
 Arquimedes, Arquimedes,
 Que paciência a tua.
 Mas mostraste ao mundo
 Que a Matemática ensina
 Não a dizer: não sei
 Mas a dizer: ainda não sei.
 Trigonometria, Álgebra e Geometria,
 Tudo junto para complicar.
 Mas as relações são tão interessantes
 Que até dá gosto estudar.
 Matemática, Matemática
 Para que serves tu?
 Para dar força e auto-confiança
 A quem me consegue tratar por tu

Autor: Desconhecido

Nenhum comentário:

Postar um comentário