Na aula de Matemática
Quando olhas para mim
Os números racionais ficam
irracionais
Os reais, imaginários
E os complexos ficam
perplexos.
Quando olhas para mim
O triângulo fica imóvel
O círculo quadrado
E o quadrado fica reverso.
Quando olhas para mim
Os conjuntos ficam sem
elementos
Os subconjuntos, maiores
que os conjuntos
E o vazio desaparece.
Quando olhas para mim
Os múltiplos ficam primos
Os primos irmãos
E todos os números ficam
divisíveis.
Quando olhas para mim
Os deltas ficam negativos
As equações sem raízes
E as funções ficam sem
domínio.
Quando olhas para mim
As derivadas ficam sem
limites
Os gráficos, sem inflexão
E as tangentes nem se
tocam.
Quando olhas para mim
Os poliedros ficam sem
faces
O côncavo vira convexo
E o teorema de Euler fica
sem nexo.
Quando olhas para mim
O sistema fica impossível
A matriz, redonda
E o determinante se anula.
Quando olhas para mim
O sinal fica sem som
A aula sem professor
E o aluno bate com o dedo
no meu ombro:
- Mestre, a aula acabou.
Chico Nery
Romance matemático
Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que nosso
romance é como uma equação
Em que ponho-me,
insistentemente;
A descobrir o valor de sua
incógnita.
Dê-me o silêncio…
Para eu derrubar todos os
axiomas;
Que insistem em dizer que
nosso amor é impossível.
Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que você é o
pivô de minha matriz escalonada;
Que cada virtude que
encontro em você
É um determinante para
nossa relação.
Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que a função
que rege minha vida
Consiste em que cada
elemento do seu domínio
Está associado a um
elemento de meu contra-domínio.
Dê-me o silêncio…
Para eu te mostrar que
nossas retas paralelas se encontrarão no infinito.
Dê-me o silêncio…
Para eu dizer que quando
contemplo a imagem de seu corpo,
Meus batimentos cardíacos
modelam uma cossenóide.
Dê-me o silêncio…
Para te provar que embora
sejamos ângulos opostos pelo vértice,
nossas medidas são iguais.
Nesse instante me calo e
quem diz tudo é você.
Anderson Costa dos Santos Souza e Alex Bruno
Carvalho dos Santos
Amormetria
Dê-me um apoio (centro)
Num piscar de olhos me
transformo em um compasso
Giro 90º, 180º, 270º, 360º
graus
Volta completa na
circunferência chamada vida.
Dê-me uma régua ou uma
trena
Com ela conseguirei medir
ou não nossa distância
Que parece infinita.
Dê-me um transferidor para
medirmos os graus do nosso amor.
Um esquadro
Quem sabe ele possa nos
enquadrar.
Dê-me um ponto
Por ele passarei infinitos
segmentos de sentimentos
Paixão, amor, raiva,
ressentimento, gratidão…
Só não me limite com dois
pontos
Pois, não saberia que
segmento de sentimento
Passaria por eles.
Edi Santana Barbosa
Professor da rede Estadual e municipal de
Juazeiro BA
Nome : Desconhecido
Descartes colocou tudo nos eixos,
Cupido enviou os vectores,
E no quadriculado, de mãos dadas,
Ficaram a Geometria e a Álgebra.
O mar para atravessar,
O Universo para descobrir,
As pirâmides para medir.
Tudo existia, menos a trigonometria.
Construíram-se triângulos,
Mediram-se ângulos,
Fizeram-se cálculos e
Quem sonharia que à Lua se iria?
Flor, fruto, flor, fruto, flor...
Sucessão da natureza.
Dois, quatro, seis, oito...
Sucessão de Matemática.
Quem gosta de Matemática
Tem de gostar da Natureza.
Quem gosta da Natureza
Aprenderá a gostar da Matemática.
O chá arrefece com o tempo,
As plantas florescem com o tempo,
A Matemática aprende-se com o tempo,
A vida vive-se com o tempo.
O que é que não é função do tempo?
Com um duplo cone e um serrote
Apolónio mostrou ao mundo
Elipses, hipérboles e parábolas.
Eram formas tão perfeitas,
Que na Matemática
Já tinham uma equação.
A sua beleza e harmonia
Levaram-nos do plano para o espaço
E também de Apolónio ao nosso dia-a-dia.
Quanto tempo gastou Arquimedes
Para desenhar rectângulos e rectângulos
Cada vez de menor base,
Até chegar à área de uma curva?
Arquimedes, Arquimedes,
Que paciência a tua.
Mas mostraste ao mundo
Que a Matemática ensina
Não a dizer: não sei
Mas a dizer: ainda não sei.
Trigonometria, Álgebra e Geometria,
Tudo junto para complicar.
Mas as relações são tão interessantes
Que até dá gosto estudar.
Matemática, Matemática
Para que serves tu?
Para dar força e auto-confiança
A quem me consegue tratar por tu
Autor: Desconhecido
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